sexta-feira, 2 de maio de 2008

"Pensei...
que sempre
que nunca
Pensei...
que não havia fim
que não era assim
Sonhei...
que seria assim
que haveria um fim
que nunca
que sempre
Fechei...
para sempre
para nunca
para além de mim
para além dum sim
Abri...
quando pensei que
Perdi...
quando fechei o que
Sonhei..."

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Continuamos a tratar da casca
Continuamos a moldar a casca
Continuamos a remar de costas
E a provar águas quase mortas
A viver ruas já pisadas
A levar pedras já usadas
Num saco meio roto
Num saco meio morto

Tentamos não manchar a casca
P'ra fazer brilhar a casca
Tentamos não parar de costas
Tentamos não falhar respostas
Que nunca nos vejam de fora!!
É para nós que o mundo adora
Passos de dança no chão
É para nós que os olhos olham.

Casca é o tempo que dói,
a janela fechada que estilhaça quando se olha p'ra traz...
Vento é o que bate na cara
É só largar a casca,
Ninguém olha pr'a trás.

Fingimos não pensar na casca
Tentamos perdoar a casca
Separamos bem e mal
Quando se inspira o real
E se queima o que é vida
Mais uma hora despida
Onde águas não escorrem
E mágoas não morrem

Tentamos disfarçar demónios
Por medo desviamos olhos
Por fuga apagamos fogos
Por escudos renascemos novos
Sem rasto esquecemos lábios
Altivos, rastejamos, sábios
Cada vez mais fundo
No buraco do mundo

Com força agarra-se a casca
Que é só o que nos resta
Que o mastro derreteu
Mais, tudo encolheu
Quisemos testar barreiras
E construímos teias
Difíceis de romper
Aqui ficamos presos na...

Casca é tempo que dói
É janela fechada que estilhaça
quando se olha para trás..

Vento é o que bate na cara
É só largar a casca!!
Ninguém olha para trás!

Vento é o que bate na cara
É só largar a casca!!
Não se olha para trás!

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

"E o passado já lá está,
raio de uma sorte cinzenta.

E o prazer tem uma réstia de esperança.

Enquanto houver saúde,
há que cuidar do aspecto,
fazê-lo fazer parecer natural.

Por mais que seja cruel não há ninguém que ajude..."

domingo, 2 de dezembro de 2007

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

"Mais alto, sim! mais alto, mais além
Do sonho, onde morar a dor da vida,
Até sair de mim! Ser a Perdida,
A que se não encontra! Aquela a quem

O mundo não conhece por Alguém!
Ser orgulho, ser águia na subida,
Até chegar a ser, entontecida,
Aquela que sonhou o meu desdém!

Mais alto, sim! Mais alto! A Intangível
Turris Ebúrnea erguida nos espaços,
A rutilante luz dum impossível!

Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber
O mal da vida dentro dos meus braços,
Dos meus divinos braços de Mulher!"

Florbela Espanca

domingo, 25 de novembro de 2007

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

I changed the rules